A publicidade de apostas esportivas entrou em uma nova fase no Brasil.
Desde 17 de julho de 2026, campanhas de apostas de quota fixa passaram a seguir regras mais rígidas de comunicação, com advertências obrigatórias, novas restrições para conteúdo publicitário e uma ampliação importante da responsabilidade de quem participa da divulgação.
E existe um detalhe que merece atenção especial:
as regras não atingem apenas as casas de apostas.
Creators, influenciadores, comentaristas, veículos de comunicação, agências, plataformas digitais, produtores de conteúdo e empresas que impulsionam ou veiculam publicidade também estão dentro desse novo ambiente regulatório.
As mudanças foram estabelecidas principalmente pela Portaria SPA/MF nº 1.964, de 3 de julho de 2026, e pela Portaria Interministerial MF/SECOM/MJSP nº 73, de 10 de julho de 2026.
Na prática, o mercado brasileiro de apostas deixa de tratar publicidade apenas como uma questão de performance e passa a exigir uma preocupação muito maior com compliance, responsabilidade e proteção do consumidor.
Para quem trabalha com mídia esportiva, creator economy ou marketing de influência, essa mudança é especialmente importante.
Porque aquilo que antes podia ser interpretado simplesmente como conteúdo, opinião ou divulgação comercial agora pode estar sujeito a regras específicas.
E o risco não está apenas em anunciar uma casa não autorizada.
Até a maneira como o conteúdo é apresentado pode fazer diferença.
O que mudou na publicidade de apostas em 2026?
A principal mudança estabelecida pela Portaria SPA/MF nº 1.964/2026 é a obrigatoriedade de apresentar uma advertência em toda publicidade de apostas de quota fixa.
A peça deve utilizar uma das seguintes mensagens:
“Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência”
“Ministério da Fazenda adverte: Apostar faz você perder dinheiro”
“Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento”
Além disso, a advertência precisa ser apresentada de forma horizontal, clara e legível, ocupando pelo menos 10% da área do anúncio. A regra entrou em vigor em 17 de julho de 2026.
Isso significa que a mudança não vale apenas para uma campanha de televisão.
Ela pode afetar diferentes formatos publicitários, incluindo peças digitais e ações desenvolvidas em diferentes canais.
Para marcas, agências e creators, isso exige uma revisão dos formatos utilizados nas campanhas.
A publicidade de bets ficou mais parecida com publicidade de produtos de risco
Existe uma mudança simbólica importante nessa nova regulamentação.
Ao determinar advertências semelhantes às utilizadas em outras categorias consideradas sensíveis, o governo está deixando claro que apostas não devem ser comunicadas simplesmente como entretenimento ou oportunidade financeira.
A própria frase:
“Aposta não é investimento”
tem um objetivo bastante evidente.
Evitar que o consumidor interprete a atividade como uma forma de ganhar dinheiro ou construir patrimônio.
Esse ponto também aparece nas restrições de conteúdo.
A regulamentação proíbe publicidade que possa induzir o consumidor ao erro e estabelece restrições a mensagens que apresentem a aposta como uma forma de obtenção de ganho fácil.
Isso muda completamente a linguagem que pode ser utilizada em campanhas.
O que muda para os creators?
Aqui está provavelmente a parte mais importante para a creator economy.
A nova regulamentação amplia a responsabilidade para diferentes agentes envolvidos na publicidade.
A Portaria Interministerial nº 73 determina que estão sujeitos às regras não apenas os operadores de apostas, mas também pessoas físicas e jurídicas que produzam, promovam, patrocinem, divulguem, transmitam, distribuam, impulsionem ou veiculem ações de publicidade e marketing relacionadas às apostas.
Isso inclui, dependendo da situação concreta, creators e influenciadores envolvidos em campanhas.
Na prática, aquela ideia de:
“A casa de apostas me contratou, então a responsabilidade é dela.”
fica muito mais difícil de sustentar como regra geral.
A cadeia de publicidade passou a ser observada de maneira mais ampla.
E isso significa que contratos precisam ser mais detalhados.
Briefings precisam ser mais claros.
Aprovações precisam ser documentadas.
E o creator precisa saber exatamente o que está publicando.
Influenciador não pode tratar publicidade de aposta como opinião pessoal
Essa talvez seja uma das maiores mudanças culturais para o mercado.
Durante muito tempo, o influencer marketing utilizou uma estratégia baseada na proximidade entre creator e audiência.
O creator recomenda.
O público confia.
O produto é apresentado dentro do conteúdo.
Esse modelo continua funcionando para inúmeras categorias.
Mas apostas têm uma regulamentação específica.
A nova Portaria Interministerial estabelece restrições para conteúdos que apresentem prognósticos, opiniões técnicas ou análises sobre eventos esportivos quando, pela proximidade com publicidade e conteúdo editorial, possam induzir ou influenciar apostas em determinado evento ou mercado.
Isso é particularmente relevante para:
comentaristas.
analistas.
streamers.
influenciadores esportivos.
canais de futebol.
podcasts.
sites especializados.
programas esportivos.
criadores de conteúdo.
Comentaristas e analistas precisam redobrar atenção
Imagine um comentarista falando antes de uma partida:
“Hoje eu apostaria tranquilamente na vitória do time X.”
Se isso estiver inserido em um contexto publicitário ou tiver proximidade suficiente com uma ação comercial, pode existir problema regulatório.
A regulamentação busca justamente evitar que a autoridade de especialistas seja utilizada para estimular determinada aposta.
O Ministério da Fazenda afirmou que estão proibidos comentários de especialistas ou comentaristas que incentivem apostas sobre determinado jogo ou evento.
Isso é particularmente sensível porque o valor comercial de um comentarista está justamente na sua credibilidade.
O público acredita na análise.
E essa influência pode ser convertida em comportamento de aposta.
O problema não é falar sobre futebol
É importante fazer uma distinção.
As novas regras não significam que comentaristas estão proibidos de analisar futebol.
Um jornalista pode continuar falando sobre escalação.
Pode analisar desempenho.
Pode discutir estatísticas.
Pode avaliar o momento de uma equipe.
Pode comentar uma partida.
O problema aparece quando esse conteúdo é utilizado, especialmente em contexto publicitário, de maneira capaz de induzir ou influenciar uma aposta específica.
Essa diferença é fundamental para veículos esportivos.
A fronteira entre conteúdo editorial e publicidade precisa estar cada vez mais clara.
O conteúdo patrocinado precisa ser tratado como publicidade
Esse é um dos pontos que tende a ganhar ainda mais importância.
Um creator pode produzir um vídeo patrocinado.
Um portal pode publicar uma matéria comercial.
Um podcast pode receber uma ação de marca.
Um streamer pode apresentar uma casa de apostas.
Um canal pode colocar um link de afiliado.
Em todos esses casos, a natureza comercial da relação precisa ser considerada.
Não basta transformar uma publicidade em “opinião”.
Não basta colocar o logo da empresa.
Não basta dizer que “cada um faz o que quiser”.
O formato e o contexto importam.
A regulamentação brasileira passou a olhar para a cadeia de comunicação de maneira muito mais abrangente.
E os links de afiliados?
Esse ponto merece atenção especial.
O mercado de afiliados possui uma participação enorme na aquisição de usuários de apostas.
O modelo tradicional é relativamente simples:
o parceiro divulga a marca.
O usuário acessa um link.
Cria uma conta.
E o afiliado recebe uma remuneração conforme as regras do contrato.
Mas a nova regulamentação reforça que não é permitido utilizar publicidade para direcionar usuários a operadores não autorizados.
Isso inclui mecanismos como:
links de afiliados, códigos promocionais, hyperlinks e QR Codes que direcionem o consumidor para canais de operadores não autorizados.
Ou seja:
o afiliado também precisa saber para onde está levando a audiência.
O domínio .bet.br virou um sinal importante
Uma das formas mais simples de fazer uma primeira verificação é observar se a operação está dentro do mercado regulado.
As casas autorizadas utilizam domínios vinculados ao sistema .bet.br, e o Ministério da Fazenda mantém uma lista oficial de empresas autorizadas.
Mas atenção:
não basta confiar apenas no domínio.
O ideal é consultar a lista oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas.
A página oficial do Ministério da Fazenda apresenta as empresas autorizadas, suas marcas, domínios e informações relacionadas à autorização.
Para agências e creators, essa checagem deveria fazer parte do processo de onboarding de qualquer anunciante de apostas.
O que uma agência deveria verificar antes de fechar uma campanha?
A nova realidade exige um processo mais profissional.
Antes de aceitar uma campanha, a agência deveria verificar:
1. A empresa está autorizada?
Consultar a lista oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas.
2. Qual é a marca que será divulgada?
Confirmar se a marca utilizada na campanha corresponde à autorização.
3. Qual é o domínio?
Verificar se o endereço eletrônico está entre os canais autorizados.
4. Existe link de afiliado?
Confirmar para qual operador o usuário será direcionado.
5. Como será feita a publicidade?
Definir formato, canal, linguagem e contexto.
6. Qual advertência será utilizada?
Garantir que uma das mensagens obrigatórias esteja presente.
7. Quem aprova a peça?
Documentar o fluxo de aprovação.
8. Existe participação de creator?
Estabelecer claramente as responsabilidades no contrato.
Esse processo pode parecer burocrático.
Mas é exatamente esse tipo de burocracia que reduz risco.
As redes sociais também entram nessa discussão
Um dos pontos mais interessantes da nova regra é que ela não está limitada à publicidade tradicional.
A Portaria Interministerial trata de publicidade, comunicação, marketing e oferta de apostas por quaisquer meios, formatos ou canais, direta ou indiretamente.
Isso significa que o mercado precisa pensar além da televisão, rádio ou mídia tradicional.
Instagram.
TikTok.
YouTube.
Twitch.
X.
Sites.
Blogs.
Podcasts.
Newsletters.
Discord.
Comunidades.
Aplicativos.
Todos podem fazer parte dessa cadeia de comunicação.
Para creators, isso significa que a regulamentação acompanha a publicidade independentemente do formato.
O que muda para sites e portais esportivos?
Veículos esportivos também precisam prestar atenção.
Um portal pode ter publicidade tradicional.
Mas também pode possuir:
conteúdo patrocinado.
links de afiliados.
reviews.
comparadores.
códigos promocionais.
banners.
landing pages.
publieditoriais.
Widgets.
Integrações.
A nova regulamentação amplia a responsabilidade para quem divulga e veicula publicidade de apostas.
Portanto, o publisher precisa ter políticas internas.
Não é suficiente confiar que o anunciante “já está regularizado”.
O veículo também precisa estabelecer mecanismos para verificar o que está sendo publicado.
O conteúdo editorial também precisa de cuidado
Aqui aparece uma questão particularmente delicada para portais esportivos.
Imagine um site publicando:
“Veja as melhores apostas para o jogo do Brasil hoje.”
Isso pode parecer conteúdo editorial.
Mas se houver relação comercial, link de afiliado ou outro mecanismo de monetização, o contexto muda.
A nova regra é explícita ao restringir estratégias, prognósticos e opiniões técnicas que, pela proximidade com publicidade ou conteúdo editorial, possam induzir o consumidor a apostar em determinado evento ou mercado.
Por isso, veículos precisam separar claramente:
jornalismo
de
publicidade
e
conteúdo afiliado.
Essa separação será cada vez mais importante.
A responsabilidade não termina no anunciante
Talvez essa seja a mudança mais importante de toda a regulamentação.
O mercado está deixando de trabalhar com uma lógica em que apenas a casa de apostas é responsabilizada.
Agora existe uma visão de cadeia.
Operador.
Agência.
Creator.
Veículo.
Plataforma.
Afiliado.
Produtor.
Distribuidor.
Quem participa da comunicação precisa observar as regras aplicáveis.
O Ministério da Fazenda afirmou expressamente que as novas medidas ampliam a responsabilidade de todos os agentes envolvidos na divulgação.
Para o mercado publicitário, isso é enorme.
E o risco de multas e sanções?
O endurecimento das regras vem acompanhado de uma fiscalização mais ampla.
O governo vem aumentando o combate às operações ilegais.
Em abril de 2026, o Ministério da Fazenda e a Anatel informaram que já haviam bloqueado 39 mil domínios irregulares, além da remoção de 203 aplicativos fora da regulação federal.
Em janeiro, a Anatel havia informado que já tinha conseguido bloquear 25 mil sites de apostas irregulares.
Isso mostra a velocidade com que a fiscalização cresceu.
E não estamos falando apenas de sites.
Em julho, a Polícia Federal realizou a Operação Slots contra um grupo suspeito de utilizar sites ilegais de apostas e influenciadores digitais para divulgação.
A mensagem para o mercado é clara:
o ambiente regulatório está ficando muito mais sério.
O caso dos influenciadores mostra o tamanho do risco
A participação de creators em publicidade de apostas já vinha gerando discussões antes mesmo das novas regras.
Em agosto de 2026, por exemplo, uma ação envolvendo a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma Blaze colocou novamente no centro da discussão a responsabilidade de influenciadores na publicidade de apostas. A empresa afirmou operar conforme a legislação e a defesa da influenciadora contestou aspectos do caso.
Independentemente do mérito específico desse processo, o caso mostra uma mudança importante no mercado.
A publicidade feita por influenciadores deixou de ser uma área cinzenta ignorada pelo público.
Ela está sendo observada por consumidores, órgãos de defesa do consumidor, Ministério Público e autoridades regulatórias.
O modelo de remuneração também merece atenção
Creators e afiliados precisam prestar atenção não apenas ao conteúdo, mas também ao contrato.
Modelos de remuneração podem envolver:
cachê fixo.
CPM.
CPA.
CPL.
Revenue share.
Comissões.
Bônus.
Metas.
Performance.
Cada modelo pode criar incentivos diferentes.
E quanto mais a remuneração estiver ligada ao comportamento financeiro dos usuários, maior deve ser o cuidado jurídico e de compliance.
O contrato precisa deixar claro:
quem é o anunciante.
qual operador será divulgado.
qual conteúdo será produzido.
quais canais serão utilizados.
quem aprova as peças.
quais disclaimers são obrigatórios.
como serão tratados links e códigos.
o que acontece se a autorização do operador for suspensa.
E quem assume cada responsabilidade.
O que não pode aparecer em uma publicidade de apostas?
A nova regulamentação restringe diversos tipos de comunicação.
Entre os pontos destacados pelo governo estão práticas que:
induzam o consumidor ao erro.
apresentem a aposta como ganho fácil.
apresentem a aposta como sinal de sucesso financeiro.
utilizem pessoas conhecidas para transmitir a ideia de que apostar representa êxito.
promovam operadores não autorizados.
utilizem links ou códigos direcionando para operadores não autorizados.
apresentem apostas premiadas como forma de estímulo.
utilizem determinadas análises ou prognósticos capazes de induzir apostas específicas.
Isso muda bastante o roteiro tradicional de publicidade de bets.
“Ganhe dinheiro” é uma linguagem cada vez mais problemática
Durante a expansão inicial do mercado, era comum encontrar campanhas utilizando conceitos como:
“ganhe dinheiro”.
“fique rico”.
“renda extra”.
“dinheiro fácil”.
“faça sua renda”.
A nova regulamentação coloca esse tipo de comunicação sob um escrutínio muito maior.
A publicidade não pode apresentar a aposta como caminho para sucesso financeiro ou ganho fácil.
Para os profissionais de marketing, isso exige uma mudança criativa.
A comunicação precisa se afastar da promessa financeira.
E se aproximar de uma abordagem de entretenimento responsável.
Crianças e adolescentes estão no centro das novas regras
Outro ponto muito importante é a proteção de menores.
A publicidade de apostas direcionada a menores de 18 anos é considerada abusiva.
A regulamentação também proíbe o uso de elementos que possam atrair esse público, incluindo determinadas imagens, personagens, linguagem ou ambientes predominantemente frequentados por menores.
Isso é especialmente relevante para creators.
Um influenciador pode ser maior de idade.
Mas sua audiência pode ser predominantemente adolescente.
Por isso, simplesmente olhar para a idade do creator não resolve a questão.
É necessário considerar também:
perfil da audiência.
linguagem.
conteúdo.
plataforma.
distribuição.
contexto.
Games, esports e apostas: atenção redobrada
Para o mercado de games e esports, essa discussão é ainda mais relevante.
O público gamer possui forte presença entre jovens.
Creators de gaming frequentemente possuem audiências bastante jovens.
Ao mesmo tempo, esports possuem uma ligação natural com competições, estatísticas e apostas.
Isso cria uma zona que exige muito cuidado.
Uma campanha de betting dentro de uma transmissão de esports precisa considerar:
idade da audiência.
perfil dos espectadores.
linguagem utilizada.
presença de menores.
formato da publicidade.
contexto editorial.
links.
códigos.
e regras específicas do operador.
Para empresas de esports, agências e creators, compliance precisa entrar na estratégia desde o início.
Não pode ser uma revisão feita cinco minutos antes da publicação.
O que muda para o mercado de mídia esportiva?
Para a mídia esportiva, a transformação pode ser ainda maior.
Durante anos, comentaristas e analistas se tornaram ativos comerciais extremamente valiosos.
Eles possuem:
credibilidade.
autoridade.
audiência.
conhecimento.
proximidade com o público.
E isso é exatamente o que uma casa de apostas gostaria de utilizar.
Mas a nova regulamentação limita o uso desse poder de influência quando ele pode estimular apostas específicas.
Isso significa que programas esportivos precisarão pensar melhor na separação entre:
conteúdo.
opinião.
publicidade.
patrocínio.
prognóstico.
promoção.
A publicidade precisa ser identificável
Outro princípio importante é deixar claro quando existe uma relação comercial.
Isso é especialmente relevante para creators.
Se existe patrocínio, a audiência precisa conseguir entender que existe uma publicidade.
Não basta esconder a informação em uma área praticamente invisível.
A lógica do marketing de influência está mudando.
O creator precisa continuar sendo autêntico.
Mas precisa também ser transparente.
Como as marcas podem continuar usando creators?
Podem.
Mas o modelo precisa amadurecer.
Em vez de simplesmente pedir:
“Faça um vídeo recomendando a bet.”
a marca pode construir uma estratégia de conteúdo mais responsável.
Por exemplo:
conteúdo institucional.
entretenimento relacionado ao esporte.
informação sobre jogo responsável.
conteúdo de marca.
ativação esportiva.
cobertura de eventos.
ações de comunidade.
Conteúdos que não incentivem uma aposta específica.
O desafio para o marketing será encontrar formatos que mantenham o engajamento do creator sem transformar sua autoridade em uma recomendação direta de aposta.
O novo papel do compliance no marketing
Existe uma mudança cultural acontecendo dentro das agências.
Compliance costumava entrar no final.
A campanha estava pronta.
O jurídico revisava.
Algumas coisas eram alteradas.
A peça era publicada.
Para apostas, esse processo não é mais suficiente.
Compliance precisa entrar no briefing.
Antes do conceito.
Antes da contratação do creator.
Antes do roteiro.
Antes da compra de mídia.
Antes do link.
Antes da publicação.
Essa mudança pode parecer pequena.
Mas representa uma transformação enorme na operação.
Checklist para creators que trabalham com bets
Se você é creator e recebe uma proposta de uma casa de apostas, vale conferir pelo menos estes pontos.
1. Quem é o anunciante?
Pesquise a empresa e confirme sua autorização.
2. A marca está na lista da SPA?
Consulte a relação oficial do Ministério da Fazenda.
3. Qual é o domínio?
Confira se o canal utilizado corresponde ao operador autorizado.
4. Existe link ou código?
Saiba exatamente para onde sua audiência será direcionada.
5. Qual será o roteiro?
Evite improvisar recomendações ou prognósticos que possam estimular uma aposta específica.
6. A advertência obrigatória está na peça?
Garanta que ela esteja presente e ocupe o espaço determinado.
7. Sua audiência é majoritariamente adulta?
Isso precisa ser considerado.
8. A publicidade está claramente identificada?
Não tente transformar uma ação comercial em opinião espontânea.
9. Existe aprovação formal?
Mantenha registros da aprovação da campanha.
10. O contrato define responsabilidades?
Esse ponto é fundamental.
Checklist para agências
Para agências, eu acrescentaria outros pontos:
Due diligence do anunciante
Consulta à lista oficial da SPA
Validação de domínio
Revisão jurídica
Aprovação de roteiro
Validação do creator
Análise de audiência
Revisão dos links
Controle de peças
Registro das aprovações
Monitoramento pós-publicação
Essa estrutura pode reduzir significativamente o risco operacional.
O mercado de afiliados também vai mudar
A publicidade por afiliados é uma das áreas que merece mais atenção.
O próprio Ministério da Fazenda mantém em sua agenda regulatória de 2026–2027 uma iniciativa para revisar a regulamentação da publicidade por meio de afiliados em aplicações de internet.
Isso indica que o tema ainda está em evolução.
Portanto, quem trabalha profissionalmente com afiliados deve acompanhar novas normas e não considerar a regulamentação atual como algo definitivo.
O mercado ainda está sendo construído.
O que isso significa para o futuro da publicidade de bets?
A tendência é clara.
Menos:
“Aposte aqui e ganhe dinheiro.”
Mais:
marca + entretenimento + esporte + responsabilidade.
Menos:
“Eu apostaria nesse time.”
Mais:
análise esportiva sem indução direta à aposta.
Menos:
creator improvisando um código.
Mais:
campanha estruturada, aprovada e documentada.
Menos:
qualquer casa pagando qualquer influencer.
Mais:
marcas autorizadas trabalhando com parceiros profissionais.
Essa transformação pode ser positiva para o mercado.
Porque tende a separar empresas que querem construir marcas de longo prazo de operações interessadas apenas em aquisição agressiva.
A regulamentação pode profissionalizar o mercado
Existe uma consequência interessante que nem sempre aparece nas discussões.
Mais regras significam mais custos.
Mas também podem significar mais profissionalização.
Agências especializadas.
Departamentos jurídicos.
Compliance.
Auditoria.
Processos.
Contratos.
Métricas.
Governança.
Treinamento de creators.
Isso cria uma indústria mais madura.
E, para profissionais de marketing, pode gerar novas oportunidades.
O creator que entender compliance pode ganhar vantagem
Eu acredito que esse será um diferencial importante nos próximos anos.
Imagine dois creators.
O primeiro possui 2 milhões de seguidores, mas não entende regulamentação.
O segundo possui 500 mil seguidores, mas possui audiência qualificada, profissionalismo, processos e histórico de compliance.
Para uma marca regulada, o segundo pode ser muito mais interessante.
A lógica do mercado está mudando de:
alcance a qualquer custo
para:
alcance + qualidade + segurança de marca.
E isso vale para creators, veículos e agências.
A nova regra muda o jogo para todo o ecossistema
A regulamentação de publicidade de apostas em 2026 não é apenas uma mudança para as casas.
Ela afeta toda a cadeia.
Operadores precisam se adequar.
Agências precisam revisar processos.
Creators precisam entender seus limites.
Afiliados precisam verificar seus links.
Veículos precisam separar publicidade de conteúdo editorial.
Comentaristas precisam ter cuidado com recomendações.
Plataformas precisam colaborar com a fiscalização.
E os consumidores ganham novas ferramentas de proteção.
O mercado brasileiro de apostas cresceu muito rapidamente.
Agora começa uma etapa diferente.
A etapa da maturidade.
Conclusão
A nova regulamentação de publicidade de apostas representa uma mudança significativa para o mercado brasileiro.
Desde 17 de julho de 2026, anúncios de apostas precisam apresentar advertências obrigatórias e ocupar pelo menos 10% da área da peça com uma das mensagens determinadas pelo Ministério da Fazenda.
Mas essa é apenas a parte mais visível da mudança.
A transformação mais importante está na responsabilização de toda a cadeia de publicidade.
Creators.
Influenciadores.
Comentaristas.
Agências.
Afiliados.
Portais.
Plataformas.
Produtores.
Veículos.
Todos precisam entender que publicidade de apostas não pode mais ser tratada como uma categoria comum.
E existe uma mensagem importante para quem trabalha no mercado:
não espere a fiscalização chegar para descobrir que sua campanha estava errada.
Antes de aceitar uma campanha de apostas, confirme quem é o anunciante, verifique sua autorização, analise o contrato, entenda os links utilizados, revise o roteiro e garanta que a publicidade esteja de acordo com as regras.
O mercado regulado brasileiro ainda é relativamente novo.
Mas uma coisa já ficou evidente:
a era do “vale tudo” na publicidade de bets acabou.
Agora, quem quiser continuar crescendo nesse mercado precisará entender não apenas de audiência, mídia e conversão.
Precisará entender também de responsabilidade, regulamentação e compliance.
E, para creators e profissionais de mídia esportiva, essa pode ser justamente a próxima grande vantagem competitiva.
Perguntas frequentes sobre a nova publicidade de apostas em 2026
Quando entraram em vigor as novas regras para publicidade de bets?
As novas regras passaram a valer em 17 de julho de 2026.
Qual aviso precisa aparecer nas propagandas de apostas?
A publicidade deve apresentar uma das três advertências determinadas pelo Ministério da Fazenda: que apostar pode causar dependência, que apostar faz perder dinheiro ou que aposta não é investimento.
Quanto espaço o aviso precisa ocupar?
A advertência deve ocupar pelo menos 10% da área do anúncio, além de ser apresentada de forma clara, legível e horizontal.
Influenciadores podem fazer publicidade de bets?
Sim, mas precisam observar as regras aplicáveis à publicidade de apostas. A Portaria Interministerial nº 73 alcança pessoas físicas e jurídicas que promovam, patrocinem, divulguem ou veiculem publicidade de apostas.
Comentaristas podem recomendar apostas?
A regulamentação restringe comentários de especialistas e comentaristas que incentivem apostas sobre determinado jogo ou evento. Também há restrições para prognósticos e análises que, pelo contexto, possam induzir o consumidor a apostar.
Posso divulgar link de afiliado de uma bet?
O link precisa direcionar para um operador autorizado. A regulamentação proíbe links, códigos promocionais, QR Codes e outros mecanismos que direcionem consumidores a operadores não autorizados.
Como verificar se uma bet é autorizada?
A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda mantém uma lista oficial das empresas autorizadas, incluindo marcas e domínios.
A publicidade de apostas pode ser direcionada para menores?
Não. A publicidade direcionada a menores de 18 anos é considerada abusiva, e existem restrições ao uso de elementos capazes de atrair esse público.



