Para quem pensa em construir uma carreira nos esports, escolher o jogo certo pode fazer uma diferença enorme no bolso. League of Legends, Free Fire e Valorant possuem modelos de competição, estruturas de equipes e oportunidades comerciais bastante diferentes. Mas qual deles realmente paga melhor no Brasil?
A resposta mais honesta é: depende de onde você está na pirâmide competitiva e, principalmente, de qual tipo de renda estamos falando.
Salário de jogador, premiação, bônus, streaming, publicidade, criação de conteúdo e contratos com marcas podem transformar completamente a conta.
No topo, alguns atletas conseguem receber dezenas de milhares de reais por mês. Em casos excepcionais, jogadores que também se tornaram creators construíram negócios milionários. Na base, entretanto, a realidade pode ser muito diferente, com atletas recebendo valores bem mais modestos e, em determinados circuitos, até competindo sem remuneração fixa.
Por isso, comparar simplesmente “Free Fire paga X, LoL paga Y e Valorant paga Z” pode produzir uma conclusão bastante enganosa.
Este é um mercado em que o jogo abre a porta, mas audiência, performance, marca pessoal e capacidade de gerar valor para uma organização podem determinar quanto o profissional realmente ganha.
Afinal, qual jogo paga melhor no Brasil?
Se o critério for estrutura salarial no Tier 1, League of Legends e Valorant apresentam os modelos mais formalizados.
Se o critério for potencial de monetização através de conteúdo e influência, o Free Fire tem um dos maiores casos de sucesso do mercado brasileiro.
Se o critério for perspectiva de crescimento e internacionalização, Valorant aparece como uma das opções mais interessantes.
E se o critério for previsibilidade da carreira dentro de uma liga estruturada, League of Legends historicamente leva vantagem.
Mas existe uma diferença fundamental.
Ser jogador profissional de Free Fire não é a mesma coisa que ser Nobru.
Da mesma forma, ser jogador de Valorant não significa automaticamente ganhar dezenas de milhares de reais por mês.
E disputar uma liga profissional de League of Legends não coloca o atleta automaticamente na faixa salarial dos principais nomes do cenário.
A distância entre a base e o topo é enorme nos três jogos.
League of Legends: o cenário mais estruturado
Durante muitos anos, o Campeonato Brasileiro de League of Legends, o CBLOL, foi a principal referência brasileira quando o assunto era profissionalização dos esports.
O cenário mudou significativamente a partir de 2025, quando a Riot Games criou a League of Legends Championship of The Americas, a LTA, reunindo as estruturas competitivas das Américas.
O Brasil passou a fazer parte da LTA South, ao lado de organizações de outros países da América do Sul. A conferência sul-americana foi estruturada com oito equipes, incluindo organizações tradicionais do Brasil e uma equipe convidada da América Latina.
Em 2026, a LTA South continua sendo uma das principais estruturas competitivas para jogadores brasileiros de League of Legends. A competição conta com equipes como FURIA, LOUD, paiN Gaming, Vivo Keyd Stars, RED Canids, Fluxo, Isurus e Leviatán.
Isso importa porque salário não depende apenas da popularidade de um jogo.
Depende também da capacidade da liga de criar receita recorrente para organizações.
E nesse aspecto, League of Legends possui uma vantagem histórica.
A Riot construiu durante anos um ecossistema profissional com regras, calendário, equipes parceiras, transmissões, eventos internacionais e mecanismos de distribuição de receita.
A própria Riot descreveu a LTA como uma estrutura que busca integrar as Américas em um ecossistema competitivo único, com LTA North e LTA South.
O piso salarial do LoL
Um dos números mais conhecidos do cenário brasileiro é o antigo piso salarial de R$ 2.500 mensais estabelecido pela Riot para o CBLOL.
Quando a estrutura de franquias foi implementada, a Riot explicou que o valor seria um piso, e não um teto. A intenção era garantir uma remuneração mínima para jogadores, incluindo atletas em desenvolvimento, reservas e profissionais entrando na carreira.
É importante fazer uma ressalva: esse número não deve ser interpretado como o salário atual de todos os jogadores da LTA South.
Ele é uma referência histórica da estrutura salarial do CBLOL e ajuda a entender como o ecossistema brasileiro foi profissionalizado.
Na prática, os valores sempre foram muito mais variados.
Levantamentos especializados já apontaram média salarial superior a R$ 10 mil no CBLOL, enquanto o antigo Circuito Desafiante apresentava uma realidade bastante diferente, próxima de R$ 5 mil em determinado período.
Ou seja, existe uma diferença considerável entre jogar na elite e estar tentando chegar até ela.
O caso Ceos mostra até onde os salários podem chegar
Um dos melhores exemplos para entender a valorização de talentos no League of Legends brasileiro é o caso de Denilson “Ceos”.
Em 2025, mensagens anexadas a um processo trabalhista envolvendo um ex-executivo da KaBuM! ajudaram a revelar detalhes das negociações para a contratação do jogador.
Segundo apuração do ge, uma contraproposta feita pela KaBuM! chegou a R$ 65 mil mensais para Ceos.
O valor é muito distante do antigo piso de R$ 2.500.
E justamente por isso o caso é tão interessante.
Ele mostra que não existe um único “salário do jogador de LoL”.
Existe uma pirâmide.
Na parte inferior estão os jogadores em formação e profissionais tentando se consolidar.
No meio estão atletas estabelecidos, que podem receber salários significativamente maiores.
No topo estão os nomes capazes de alterar o desempenho competitivo e, consequentemente, o valor comercial de uma organização.
No caso de Ceos, o salário de R$ 65 mil mensais colocava o jogador entre os mais bem pagos do cenário brasileiro naquele período.
Mas existe outro detalhe importante.
Esse tipo de salário não significa que todo jogador de elite receba o mesmo valor.
Negociações dependem de performance, histórico, posição, títulos, disponibilidade no mercado, poder de negociação, duração do contrato e interesse de outras equipes.
É justamente essa escassez que cria inflação salarial.
Quando várias organizações querem o mesmo jogador, o preço sobe.
O problema de olhar apenas para o salário
Existe uma armadilha nessa discussão.
Quando alguém pergunta “quanto ganha um jogador de LoL?”, geralmente está pensando apenas no salário.
Mas um atleta profissional pode ter outras receitas.
Dependendo do contrato, podem existir:
- bônus por desempenho
- premiações
- participação em campanhas
- receitas relacionadas a conteúdo
- streaming
- contratos individuais
- publicidade
- eventos
- licenciamento
- ações promocionais
Isso também vale para Valorant e Free Fire.
Por isso, o salário é apenas uma parte da economia de um pro player.
E essa diferença fica ainda mais evidente quando analisamos o Free Fire.
Free Fire: quando jogador e creator praticamente se confundem
O Free Fire possui uma característica muito particular no Brasil.
Ele não construiu apenas uma comunidade competitiva.
Construiu uma enorme cultura de creators.
E isso mudou completamente a forma como alguns jogadores monetizam sua carreira.
Um dos maiores exemplos é Bruno “Nobru” Goes.
Em 2021, uma reportagem da Veja citada por veículos como ge e ESPN informou que Nobru faturava entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões por mês apenas com transmissões na Twitch.
Esse número é impressionante.
Mas também precisa ser interpretado corretamente.
Nobru não é um exemplo de salário médio de jogador profissional de Free Fire.
É justamente o contrário.
É um exemplo extremo de como um jogador pode transformar sua audiência em um negócio muito maior do que o próprio salário competitivo.
Naquele período, Nobru também era fundador do Fluxo e possuía contratos comerciais e projetos fora da competição tradicional. O Fluxo chegou a ter cerca de 80 funcionários e reportou receitas próprias em seus primeiros meses de operação.
Esse é um ponto fundamental para entender o mercado brasileiro.
No Free Fire, a carreira pode ir muito além do campeonato
Um jogador de Free Fire pode construir audiência no YouTube, TikTok, Twitch e outras plataformas.
Pode criar campeonatos próprios.
Pode fechar contratos com marcas.
Pode vender produtos.
Pode criar uma organização.
Pode participar de eventos.
Pode se tornar embaixador.
Pode transformar seu nome em uma marca.
E isso cria uma diferença gigantesca entre dois profissionais que, tecnicamente, jogam o mesmo jogo.
Um jogador desconhecido pode depender quase exclusivamente do contrato com sua organização.
Um jogador que possui milhões de seguidores pode ter uma estrutura de receita completamente diferente.
O caso de Nobru é emblemático justamente porque ele também se tornou uma figura comercial.
Em 2021, por exemplo, ele se tornou o primeiro embaixador global de games do TikTok, enquanto o Fluxo também fechou parceria com a plataforma.
Isso mostra como o Free Fire conseguiu aproximar três mercados que muitas vezes são tratados separadamente:
esports + influência + entretenimento.
E essa combinação é extremamente poderosa.
Mas isso significa que Free Fire paga mais?
Não necessariamente.
Na verdade, essa é uma das maiores confusões quando comparamos os três jogos.
O Free Fire pode gerar alguns dos maiores ganhos individuais quando consideramos jogador + creator + empresário.
Mas isso não significa que o salário médio de um jogador profissional de Free Fire seja maior do que o de um atleta de LoL ou Valorant.
Levantamentos de mercado costumam colocar jogadores profissionais de Free Fire em faixas bastante inferiores às receitas dos grandes creators, com referências na casa de alguns milhares de reais mensais e forte variação conforme equipe, competição e nível do atleta.
Não existe, porém, uma base pública suficientemente ampla e atualizada que permita afirmar com segurança que “o jogador médio de Free Fire ganha exatamente R$ X”.
Por isso, qualquer tabela que apresente um número único como se fosse uma estatística oficial deve ser tratada com cautela.
O cenário é muito fragmentado.
Existe competição oficial.
Existe circuito independente.
Existe emulador.
Existem creators.
Existem organizações.
Existem contratos individuais.
E cada estrutura possui uma economia diferente.
A história de Bak também revela o potencial financeiro do Free Fire
Outro caso interessante é o de Bruno “Bak”.
Documentos relacionados a um processo envolvendo o jogador e a Garena revelaram detalhes de um contrato que previa remuneração de US$ 7 mil mensais, além de outras condições.
Em uma negociação posterior, um e-mail apontava uma proposta de reajuste para US$ 20 mil por mês.
Novamente, isso não representa a média do mercado.
Mas mostra o potencial financeiro que um creator de enorme audiência pode alcançar dentro do ecossistema do jogo.
E existe uma diferença importante:
o dinheiro estava relacionado à produção de conteúdo, e não simplesmente ao desempenho competitivo.
Esse detalhe muda completamente a análise.
Valorant: o mercado que nasceu global
Se o Free Fire tem uma característica muito brasileira de integração entre competição e creators, e League of Legends possui uma estrutura competitiva histórica, Valorant tem outra vantagem:
nasceu globalmente estruturado para esports.
Desde o início, a Riot desenhou o Valorant pensando em competição profissional.
O VCT se tornou uma estrutura internacional com ligas regionais e grandes eventos.
Em 2026, o VCT Americas continua sendo uma das principais competições profissionais do mundo, enquanto o circuito Challengers funciona como uma camada de desenvolvimento e acesso ao alto nível. A própria biblioteca oficial da Riot mantém regras específicas para VCT Americas e para os circuitos de base.
E aqui existe uma diferença importante em relação ao LoL.
O Brasil está inserido em uma liga internacional.
Isso significa que um jogador brasileiro de alto nível pode competir dentro de uma estrutura que conecta diretamente o mercado nacional ao mercado americano e internacional.
Quanto ganha um jogador profissional de Valorant?
Aqui precisamos separar informação oficial de estimativas de mercado.
As regras do VCT estabeleceram, no modelo de franquias, um piso anual de US$ 50 mil para jogadores da região Americas.
Esse valor aparece nas regras de construção de elencos da Riot e corresponde ao salário mínimo anual estabelecido para os membros elegíveis da equipe.
Isso equivale a pouco mais de US$ 4,1 mil por mês antes de impostos, considerando uma divisão simples por 12 meses.
Mas existe um ponto importante para 2026:
não encontrei uma publicação oficial mais recente da Riot que permita afirmar que US$ 50 mil continua sendo exatamente o piso atual.
Por isso, o número deve ser tratado como referência das regras publicadas do VCT, e não como uma promessa de que todo jogador de VCT Americas em 2026 recebe exatamente esse valor.
Além disso, os contratos podem incluir bônus, participação em receitas, streaming e outros componentes.
As regras do VCT também preveem que contratos especifiquem diferentes tipos de remuneração e benefícios.
Tier 1 e Tier 2 são dois mundos diferentes
Aqui está uma informação que muitas matérias sobre salários de esports acabam ignorando.
Não existe apenas o VCT Americas.
Existe todo um ecossistema abaixo dele.
E a diferença financeira pode ser brutal.
Em 2026, levantamentos publicados sobre o Challengers Brazil apontaram médias salariais bastante inferiores entre as organizações participantes, com alguns elencos em faixas de poucos milhares de reais por mês.
Dados divulgados por Bruno Povoleri e repercutidos pela comunidade, por exemplo, apontaram médias que iam de aproximadamente R$ 1.100 a R$ 6 mil em diferentes organizações do Challengers Brazil.
Esses números não são uma tabela oficial da Riot e precisam ser tratados como levantamento de mercado, não como regra salarial.
Mas eles ajudam a visualizar o problema.
O jogador que está no VCT Americas está em um mercado.
O jogador que está tentando chegar ao VCT pelo Challengers está em outro.
E isso vale para praticamente todos os esports.
O grande paradoxo do Valorant
O Valorant pode oferecer uma carreira muito interessante para quem chega ao topo.
Mas o caminho até lá não é necessariamente financeiramente confortável.
Essa é uma característica comum dos esports modernos.
O Tier 1 pode ser altamente profissionalizado.
Enquanto isso, o Tier 2 pode depender muito mais da capacidade das organizações de encontrar patrocinadores e controlar custos.
O próprio mercado internacional passou por um período de correção de salários depois do crescimento acelerado dos esports entre 2021 e 2023.
No Valorant, relatos da época apontaram redução de investimentos e pressão para que organizações diminuíssem custos.
Isso é importante porque mostra que salário alto não significa necessariamente negócio sustentável.
Uma organização pode pagar R$ 50 mil, R$ 80 mil ou mais para um jogador.
A pergunta é:
quanto esse jogador gera de receita para a organização?
E é aqui que a comparação fica realmente interessante
Se colocarmos os três jogos lado a lado, temos três modelos bastante diferentes.
League of Legends
Possui uma tradição de liga estruturada e profissionalização.
A antiga estrutura do CBLOL criou referências salariais claras e uma carreira relativamente previsível para quem chegava ao Tier 1.
Hoje, a LTA South mantém o Brasil dentro de uma estrutura internacional maior.
Free Fire
Possui uma enorme força de comunidade e conteúdo.
O jogador pode transformar audiência em receita de maneira muito mais direta.
É o cenário em que a diferença entre um pro player comum e uma celebridade digital pode ser gigantesca.
Valorant
Possui uma estrutura internacional extremamente conectada.
O atleta brasileiro de elite pode estar inserido em uma competição que já nasce com vocação global.
O problema está na distância financeira entre o Tier 1 e os níveis inferiores.
Então qual deles paga melhor?
A resposta depende da pergunta.
Qual oferece o salário mais estruturado?
League of Legends e Valorant.
Ambos possuem regras competitivas e estruturas profissionais muito mais consolidadas do que a média dos circuitos independentes.
Qual possui maior potencial de renda para um creator?
Free Fire.
O mercado brasileiro mostrou alguns dos maiores casos de integração entre jogador, streamer, influencer e empresário.
Nobru é o exemplo mais evidente.
Sua receita de streaming reportada pela imprensa chegou à faixa de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões mensais em 2021.
Mas isso é uma exceção extraordinária, não uma média.
Qual pode oferecer uma carreira internacional mais interessante?
Valorant.
O VCT Americas conecta diretamente jogadores brasileiros a uma estrutura competitiva internacional.
Para um atleta de alto nível, isso pode aumentar não apenas o potencial salarial, mas também exposição, patrocínios e valor de mercado.
Qual tem a maior diferença entre base e topo?
Os três.
E esse talvez seja o ponto mais importante de todos.
Um adolescente que começa hoje sonhando em ser pro player não deveria olhar para o salário de Nobru, Ceos ou uma estrela de Valorant e imaginar que aquela será sua realidade.
A indústria funciona como uma pirâmide.
Milhares tentam.
Centenas chegam ao profissional.
Poucos permanecem no topo.
E um número ainda menor consegue transformar performance competitiva em uma carreira de mídia.
O verdadeiro dinheiro dos esports está na combinação
Depois de acompanhar o mercado de games, organizações e influenciadores, existe uma conclusão que considero muito mais interessante do que simplesmente perguntar qual jogo paga melhor.
Os maiores ganhos aparecem quando o atleta deixa de ser apenas atleta.
Isso não significa abandonar a competição.
Pelo contrário.
A performance pode ser justamente o que constrói a reputação.
Mas, a partir dela, o profissional pode desenvolver uma segunda camada de carreira.
O jogador vira creator.
O creator vira influenciador.
O influenciador vira embaixador.
O embaixador vira empresário.
E o empresário pode construir uma organização.
Foi exatamente esse movimento que ajudou a transformar nomes como Nobru em algo muito maior do que jogadores de Free Fire.
Para as marcas, a lógica também muda
Essa discussão é importante não apenas para quem quer ser jogador.
É importante para quem quer patrocinar esports.
Se uma marca olha apenas para o número de espectadores de um campeonato, pode perder uma parte enorme da oportunidade.
O valor de um atleta pode estar na capacidade de gerar conteúdo durante todo o ano.
Imagine dois jogadores.
O primeiro possui um excelente desempenho competitivo, mas quase nenhuma audiência.
O segundo possui desempenho competitivo semelhante, mas tem 2 milhões de seguidores e produz conteúdo diariamente.
Para uma marca, eles podem ter valores completamente diferentes.
É por isso que o mercado de esports está cada vez mais próximo da creator economy.
O campeonato é apenas uma parte do produto.
O jogador é mídia.
A organização é mídia.
O creator é mídia.
A comunidade também é mídia.
E essa combinação é o que torna o ecossistema tão interessante comercialmente.
Salário não é o mesmo que valor de mercado
Essa distinção merece atenção.
Um jogador pode receber R$ 30 mil por mês e ainda assim não ser necessariamente um ativo comercial de R$ 30 mil.
Da mesma forma, um creator pode receber menos de um pro player em salário e gerar muito mais receita para uma organização através de publicidade.
O mercado começa a perceber isso.
E talvez essa seja uma das grandes transformações dos esports brasileiros.
Durante muito tempo, a pergunta era:
“Quem é o melhor jogador?”
Hoje, cada vez mais, a pergunta também é:
“Quem consegue transformar performance em audiência e audiência em negócio?”
A carreira mais inteligente pode combinar competição e conteúdo
Para quem está entrando agora nos esports, essa talvez seja a principal lição.
Não significa que todo jogador precisa virar influencer.
Nem todo mundo tem perfil para produzir conteúdo.
Mas ignorar completamente a construção de marca pessoal pode ser um erro.
Um atleta que desenvolve sua comunicação, cria comunidade, aprende a trabalhar com redes sociais e entende como funciona o mercado de publicidade pode aumentar suas possibilidades profissionais.
E isso não vale apenas para jogadores.
Vale para coaches.
Analistas.
Narradores.
Criadores.
Streamers.
Organizações.
Managers.
Produtores.
Profissionais de marketing.
A indústria de games criou uma quantidade enorme de funções que não existiam da mesma forma há 15 anos.
O futuro pode favorecer quem souber unir esports e creator economy
O crescimento dos creators mudou completamente a economia da atenção.
Hoje, uma organização não precisa depender exclusivamente de campeonato para justificar um investimento em um atleta.
Ela pode transformar aquele profissional em uma propriedade de mídia.
Conteúdo diário.
Lives.
Shorts.
TikTok.
YouTube.
Instagram.
Eventos.
Campanhas.
Meet & greet.
Produtos.
Comunidades.
Tudo isso pode gerar valor.
É exatamente por isso que algumas organizações passaram a olhar para seus jogadores não apenas como atletas, mas como talentos de entretenimento.
E nesse aspecto o Brasil possui uma característica particularmente forte.
A comunidade brasileira é extremamente engajada.
Os fãs não acompanham apenas partidas.
Eles acompanham personalidades.
Torcem por organizações.
Criam memes.
Participam de comunidades.
Compartilham cortes.
Acompanham streamers.
E compram produtos.
Essa paixão é um ativo econômico.
Free Fire, Valorant ou LoL: qual escolher?
Para um jovem que está pensando em seguir carreira, eu não escolheria apenas pelo salário.
Escolheria pelo conjunto.
Se você é extremamente competitivo e gosta de uma estrutura tradicional
League of Legends pode fazer sentido.
A LTA South oferece uma estrutura profissional consolidada e inserida em um ecossistema internacional.
Se você tem habilidade mecânica, disciplina e ambição internacional
Valorant pode ser uma aposta interessante.
O caminho até o Tier 1 é difícil, mas a estrutura do VCT oferece uma conexão muito clara entre o cenário regional e a competição internacional.
Se você é jogador, comunicador e creator ao mesmo tempo
Free Fire pode ser particularmente interessante.
O histórico brasileiro mostra como um jogador pode transformar audiência em uma carreira muito maior do que a competição.
A resposta final
Então, qual cenário competitivo paga melhor no Brasil?
Não existe um campeão absoluto.
League of Legends historicamente oferece uma das estruturas salariais mais organizadas do país e já produziu casos de remuneração muito elevada, como os R$ 65 mil mensais associados ao contrato de Ceos com a KaBuM!.
Valorant possui uma estrutura internacional forte e regras de remuneração no Tier 1, com a referência histórica de piso de US$ 50 mil anuais para a região Americas. Porém, a diferença entre Tier 1 e Tier 2 mostra que chegar ao topo é a parte mais difícil.
Free Fire apresenta talvez a maior oportunidade de combinação entre competição, influência e criação de conteúdo. Casos como Nobru demonstram que o teto financeiro pode ser extraordinário quando o jogador se transforma também em creator e empresário.
Mas existe uma conclusão ainda mais importante.
O jogo escolhido é apenas uma parte da equação.
No mercado de esports, o verdadeiro diferencial pode estar na capacidade de transformar habilidade em performance, performance em audiência e audiência em negócio.
E é justamente nesse ponto que a fronteira entre pro player, influencer e creator fica cada vez mais difícil de enxergar.
Perguntas frequentes
Qual jogo paga mais para jogadores profissionais no Brasil?
Não existe uma resposta única. League of Legends e Valorant possuem estruturas mais formalizadas no Tier 1, enquanto Free Fire apresenta grande potencial de monetização quando competição e criação de conteúdo são combinadas.
Quanto ganha um jogador profissional de LoL no Brasil?
Os valores variam muito conforme liga, equipe, experiência e posição. O antigo CBLOL possuía piso salarial de R$ 2.500, enquanto levantamentos do mercado apontavam médias superiores a R$ 10 mil. Casos excepcionais chegaram a valores muito maiores, como os R$ 65 mil mensais associados ao contrato de Ceos com a KaBuM!.
Quanto ganha um jogador profissional de Valorant?
No VCT Americas, as regras publicadas pela Riot estabeleceram um piso anual de US$ 50 mil. Esse valor é uma referência das regras de remuneração publicadas e não deve ser confundido com uma média salarial de todos os jogadores de Valorant no Brasil.
Quanto ganha um jogador de Free Fire?
Não existe uma média oficial pública que represente todo o mercado brasileiro. Os valores variam bastante entre competições, organizações e nível do jogador. Além do salário, muitos profissionais podem ganhar com premiações, streaming, publicidade e criação de conteúdo.
Nobru ganha R$ 1,5 milhão por mês jogando Free Fire?
O valor divulgado pela imprensa se refere à receita obtida com suas transmissões na Twitch em 2021, e não a um salário de jogador profissional. A Veja, segundo reportagens do ge e ESPN, apontou uma faixa de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões mensais com streaming.
É possível viver de esports no Brasil?
Sim, mas a carreira é altamente competitiva e concentrada no topo. Além da competição profissional, existem oportunidades em criação de conteúdo, streaming, coaching, análise, gestão, marketing, produção e outras áreas do ecossistema.
Qual jogo é melhor para quem quer virar streamer?
Não existe uma resposta universal. Free Fire possui um histórico particularmente forte de integração entre esports e creator economy no Brasil, mas audiência depende muito mais da personalidade, consistência, capacidade de comunicação e construção de comunidade do que simplesmente do jogo escolhido.

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