A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas o efeito econômico do torneio sobre o mercado brasileiro de apostas esportivas começa agora a ficar mais claro.
Durante dois meses, o futebol ocupou praticamente todos os espaços da economia da atenção. Foram partidas diariamente, jogos simultâneos, enorme volume de conteúdo nas redes sociais, transmissões, creators, publicidade e, naturalmente, uma quantidade muito maior de oportunidades para apostar.
Os primeiros números mostram que o Mundial realmente funcionou como um acelerador para as bets.
Mas existe uma diferença importante entre dinheiro apostado, receita das casas e lucro das empresas. E entender essa diferença é fundamental para dimensionar o impacto real da Copa do Mundo no setor.
Segundo levantamento do Aposta Legal, o mercado regulado teria registrado R$ 17,83 bilhões em GGR no primeiro semestre de 2026, enquanto junho, mês da fase de grupos, chegou a R$ 4,43 bilhões.
Por outro lado, dados obtidos pelo BNLData junto ao Ministério da Fazenda por meio da Lei de Acesso à Informação apontam R$ 20,07 bilhões de GGR no primeiro semestre, uma diferença relevante que mostra como metodologia e fonte precisam ser consideradas antes de transformar qualquer número em verdade absoluta.
E essa talvez seja a parte mais interessante dessa história.
A Copa não apenas aumentou o número de apostas. Ela colocou à prova a maturidade de um mercado que entrou oficialmente em sua primeira Copa do Mundo sob um ambiente regulado.
A primeira Copa do Mundo do mercado regulado
Existe um aspecto histórico nessa Copa de 2026 que não pode ser ignorado.
A edição realizada nos Estados Unidos, Canadá e México foi a primeira Copa do Mundo disputada com o mercado brasileiro de apostas esportivas funcionando sob o novo ambiente regulatório nacional.
Desde 1º de janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda podem operar nacionalmente, e os sites autorizados utilizam o domínio .bet.br.
Isso muda completamente a comparação com a Copa do Mundo de 2022.
Naquele momento, o Brasil ainda não tinha o mesmo nível de estrutura regulatória e fiscalização que existe hoje.
Em 2026, as casas de apostas chegaram ao maior evento esportivo do planeta com marcas consolidadas, grandes investimentos em mídia, patrocínios esportivos, aplicativos, programas de afiliados, creators e estruturas de aquisição de clientes muito mais sofisticadas.
A Copa, portanto, funcionou como um gigantesco teste de estresse para o novo mercado.
E os números mostram que a demanda existe.
Quanto o mercado de apostas movimentou na Copa de 2026?
Aqui é importante separar dois conceitos.
Quando falamos que os brasileiros “apostaram R$ 133 bilhões”, estamos falando de volume apostado, e não de receita das casas.
O Aposta Legal estimou que aproximadamente R$ 133 bilhões foram apostados em plataformas legalizadas durante junho e julho, período que correspondeu à realização da Copa do Mundo. Isso representa aproximadamente R$ 2,19 bilhões em apostas por dia ao longo dos dois meses.
O número impressiona.
Mas ele não significa que as empresas ficaram com R$ 133 bilhões.
Uma parcela enorme desse dinheiro retornou aos apostadores na forma de prêmios.
O próprio levantamento estima que aproximadamente 94% do valor apostado voltou aos jogadores, enquanto o restante representa a parcela que permanece no ecossistema das operadoras antes das demais despesas, impostos e destinações.
É por isso que o GGR é uma métrica tão importante.
O que é GGR nas apostas esportivas?
GGR significa Gross Gaming Revenue, ou Receita Bruta de Jogo.
De forma simplificada:
GGR = valor apostado − prêmios pagos
É uma das principais métricas utilizadas para avaliar o tamanho econômico de uma operação de apostas.
O Ministério da Fazenda explica que o GGR é calculado a partir da arrecadação das apostas, descontando os valores pagos em prêmios.
Isso significa que dizer que o mercado movimentou R$ 133 bilhões em apostas é completamente diferente de dizer que as casas faturaram R$ 133 bilhões.
Na realidade, o levantamento do Aposta Legal estima aproximadamente R$ 8,08 bilhões de GGR para junho e julho, enquanto o volume apostado teria chegado a cerca de R$ 133 bilhões.
Essa diferença é fundamental para entender o negócio.
Junho foi o grande mês da Copa
Se existe um número que resume o impacto da Copa sobre o setor, ele provavelmente é o de junho.
A fase de grupos foi disputada entre 11 e 27 de junho e coincidiu com o maior volume mensal de receita estimada pelo Aposta Legal.
Foram aproximadamente R$ 4,43 bilhões de GGR em junho.
O número representa um salto de 61,9% em relação ao mês anterior, segundo o levantamento.
E existe uma característica curiosa nesse dado.
O tráfego total dos sites não explodiu na mesma proporção.
Em junho, os sites das casas monitoradas registraram aproximadamente 1,99 bilhão de acessos, queda de 6,5% em relação aos 2,14 bilhões de maio.
Isso parece contraditório.
Como um mercado pode registrar mais receita mesmo com menos acessos?
A resposta está no comportamento do usuário.
Durante a Copa, o público que já estava dentro do ecossistema de apostas passou a ter muito mais eventos para apostar e uma frequência muito maior de oportunidades.
Não era necessário necessariamente trazer um usuário novo para gerar mais receita.
Era possível aumentar a intensidade de utilização dos usuários existentes.
A Copa mudou o comportamento do apostador
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para as empresas de apostas.
Grandes eventos esportivos não necessariamente criam um novo consumidor do zero.
Eles podem transformar um usuário ocasional em um usuário muito mais ativo.
Imagine alguém que normalmente aposta em dois ou três jogos por semana.
Durante uma Copa do Mundo com dezenas de partidas em poucos dias, esse mesmo consumidor passa a ter oportunidades praticamente todos os dias.
E não apenas no resultado final.
O mercado oferece apostas em:
- vencedor da partida
- empate
- número de gols
- ambas as equipes marcam
- jogador para marcar
- cartões
- escanteios
- handicap
- mercados ao vivo
- combinações
- apostas personalizadas
Quanto maior a quantidade de eventos e mercados disponíveis, maior pode ser a frequência de interação.
É exatamente essa lógica que torna grandes torneios tão importantes para as plataformas.
Por que a fase de grupos pode ser melhor para as bets do que o mata-mata?
À primeira vista, seria natural imaginar que as fases decisivas seriam as mais lucrativas.
Afinal, quanto mais importante é o jogo, maior deveria ser a atenção.
Mas existe uma questão matemática.
Na fase de grupos, há muitos jogos em sequência e partidas simultâneas.
Isso significa que o apostador possui uma quantidade enorme de eventos disponíveis.
Em um único dia, pode haver partidas envolvendo várias seleções, em diferentes horários.
Já nas quartas de final, semifinais e final, a quantidade de partidas diminui drasticamente.
A competição fica mais importante.
Mas o número de eventos disponíveis para apostar cai.
Esse efeito ajuda a explicar por que junho, com a fase de grupos, registrou aproximadamente R$ 4,43 bilhões em GGR, enquanto julho ficou em torno de R$ 3,64 bilhões.
Somados, os dois meses chegaram a aproximadamente R$ 8,08 bilhões de receita estimada.
O mercado também mudou de site para aplicativo
Outro dado interessante da Copa foi a mudança no comportamento digital.
A jornada do apostador brasileiro está cada vez mais concentrada no celular.
Durante a Copa, o mercado registrou uma migração relevante do acesso aos sites para os aplicativos das operadoras.
Dados divulgados durante a fase de grupos mostraram que Betano e bet365 estavam entre os aplicativos de apostas mais baixados durante os jogos do Brasil, com cerca de 70 mil downloads cada em determinado recorte.
Isso é importante porque aplicativo representa mais do que conveniência.
Para uma casa de apostas, significa:
mais frequência de acesso, maior possibilidade de retenção e uma relação mais direta com o consumidor.
O usuário não precisa abrir um navegador, procurar a marca e fazer login.
O aplicativo está literalmente no bolso.
12,47 bilhões de visitas no primeiro semestre
O tamanho da audiência também impressiona.
Segundo o levantamento do Aposta Legal, os sites das 118 marcas monitoradas pelo Painel das Bets receberam 12,47 bilhões de visitas no primeiro semestre de 2026.
O número representa crescimento de 5,91% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A média chegou a aproximadamente 2,08 bilhões de acessos por mês.
Isso ajuda a entender por que as bets se tornaram um dos maiores compradores de mídia do mercado brasileiro.
Não estamos falando apenas de empresas vendendo um produto financeiro.
Estamos falando de plataformas que precisam disputar atenção constantemente.
E a competição pela atenção acontece em praticamente todos os ambientes:
Google.
Meta.
TikTok.
YouTube.
Influenciadores.
Televisão.
Rádio.
Patrocínios.
Futebol.
Sites especializados.
Afiliados.
É uma guerra pela aquisição e retenção do usuário.
A Copa também foi uma guerra de marketing
Quem acompanhou o mercado brasileiro durante o Mundial percebeu uma presença gigantesca das bets.
As marcas estavam em praticamente todos os lugares.
Patrocínios de clubes.
Campeonatos.
Creators.
Programas esportivos.
Publicidade digital.
Conteúdo nas redes sociais.
Ativações.
Afiliados.
Promoções.
A Copa transformou o futebol em uma enorme plataforma de aquisição.
Mas 2026 também mostrou que esse modelo está entrando em uma nova fase regulatória.
Em julho, o Ministério da Fazenda ampliou as exigências para publicidade de apostas.
As novas regras passaram a exigir advertências como:
“Apostar pode causar dependência”
“Apostar faz você perder dinheiro”
“Aposta não é investimento”
As mensagens precisam ocupar pelo menos 10% da área do anúncio e as regras passaram a valer em 17 de julho.
Isso muda a dinâmica para marcas, agências e creators.
A publicidade de apostas deixou de ser simplesmente uma questão de performance.
Agora existe uma camada muito maior de compliance, responsabilidade e proteção do consumidor.
O creator virou uma peça central dessa economia
Esse ponto é particularmente relevante para quem acompanha marketing e creator economy.
Durante a Copa, não eram apenas as grandes emissoras que tinham capacidade de influenciar o comportamento do público.
Creators, streamers, comentaristas e influenciadores também participaram da conversa.
E isso é extremamente valioso para as casas de apostas.
Um anúncio tradicional interrompe a experiência.
Um creator pode inserir a marca dentro da conversa.
Ele pode comentar o jogo.
Falar sobre escalação.
Analisar estatísticas.
Reagir ao gol.
Criar conteúdo antes da partida.
Interagir durante o jogo.
E, dependendo do modelo utilizado, direcionar audiência para uma plataforma.
É justamente por isso que a creator economy se tornou tão importante para o mercado de apostas.
Mas também é justamente por isso que a responsabilidade aumentou.
As novas regras do Ministério da Fazenda ampliaram a responsabilização dos agentes envolvidos na publicidade, incluindo aqueles que participam da divulgação das apostas.
Ou seja:
creator não pode mais pensar apenas em alcance e cachê.
Precisa pensar em compliance.
E o governo também ganhou com a Copa
A explosão do GGR tem uma consequência direta para o poder público:
mais dinheiro sujeito à tributação e às destinações previstas na legislação.
O modelo brasileiro não trata a receita das bets simplesmente como faturamento privado.
A legislação determina diferentes destinações para os recursos provenientes das apostas de quota fixa.
O Ministério da Fazenda explica que as empresas estão sujeitas a tributos e também a destinações sociais previstas na legislação.
Além disso, as empresas precisam pagar uma outorga de R$ 30 milhões para começar a operar nacionalmente, válida por cinco anos, além da taxa de fiscalização.
Portanto, existe uma cadeia econômica inteira construída ao redor da regulamentação.
O Estado arrecada.
Clubes e entidades esportivas podem receber recursos.
Empresas de tecnologia são contratadas.
Agências de publicidade trabalham.
Creators são remunerados.
Afiliados recebem comissões.
Meios de pagamento participam da cadeia.
E as casas de apostas disputam consumidores.
A Copa funciona como um acelerador de praticamente todos esses componentes.
Mas existe um detalhe importante sobre impostos
É preciso tomar cuidado ao afirmar que “X bilhões foram arrecadados pelo governo”.
GGR não é a mesma coisa que imposto.
E volume apostado também não é.
A estrutura tributária brasileira é relativamente complexa e sofreu mudanças recentes.
O Ministério da Fazenda informa que as empresas estão sujeitas a diferentes tributos e destinações, além da tributação específica do setor.
Além disso, alterações legislativas recentes modificaram a tributação dos operadores.
A Lei Complementar nº 224, de dezembro de 2025, alterou a tributação dos operadores de apostas de quota fixa, e o Ministério da Fazenda passou a atualizar a regulamentação do setor ao longo de 2026.
Por isso, não é correto simplesmente pegar os R$ 8,08 bilhões de GGR da Copa e aplicar uma alíquota isolada para afirmar quanto o governo arrecadou.
A conta depende da base tributária e das diferentes destinações.
O mercado ilegal continua sendo um problema
Talvez essa seja uma das maiores ameaças ao modelo brasileiro.
A Copa mostrou a força do mercado regulado.
Mas também mostrou que regulamentação não significa desaparecimento do mercado ilegal.
O próprio Aposta Legal informou em agosto que uma estimativa do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável apontava que operadores clandestinos poderiam representar entre 38% e 44% das apostas online no primeiro semestre de 2026.
Isso cria uma situação complicada.
De um lado, o governo tenta criar um mercado regulado, fiscalizado e tributado.
De outro, operadores ilegais continuam disputando o mesmo consumidor sem necessariamente enfrentar os mesmos custos regulatórios.
A competição, portanto, não acontece apenas entre Betano, bet365, Sportingbet, KTO e outras marcas autorizadas.
Existe também uma competição contra empresas que não deveriam estar operando no mercado nacional.
A regulamentação entrou em uma nova fase
Em 2026, o governo passou a ampliar os mecanismos de controle.
Em agosto, o Ministério da Fazenda informou que beneficiários de programas sociais e determinados programas de renegociação de dívidas passaram a ser impedidos de abrir ou manter contas em casas de apostas licenciadas.
O sistema utiliza cruzamento de CPF dentro do módulo Impedidos do SIGAP.
Isso mostra que o mercado brasileiro está deixando de ser apenas uma discussão sobre “legalizar ou não legalizar”.
A discussão agora é muito mais complexa.
Como fiscalizar?
Como combater o ilegal?
Como proteger consumidores vulneráveis?
Como controlar publicidade?
Como evitar manipulação?
Como garantir que as empresas cumpram as regras?
Como manter um ambiente competitivo?
A Copa aconteceu justamente nesse momento de amadurecimento.
O impacto econômico da Copa vai muito além das bets
É fácil olhar para os R$ 133 bilhões estimados em apostas e concluir que o impacto da Copa foi apenas esse.
Seria um erro.
Um grande evento esportivo movimenta uma cadeia econômica muito maior.
Hotéis.
Passagens aéreas.
Restaurantes.
Bares.
Publicidade.
Televisão.
Streaming.
Creators.
Mídia.
Merchandising.
Produtos oficiais.
Camisas.
Aplicativos.
Tecnologia.
Pagamentos.
E, naturalmente, apostas.
As bets são apenas uma das indústrias que se beneficiam da concentração de atenção.
Mas existe uma característica que torna esse setor particularmente interessante.
A aposta transforma atenção em transação quase instantaneamente.
Uma pessoa assiste a uma partida.
Vê um anúncio.
Abre o aplicativo.
Escolhe um mercado.
Deposita.
Aposta.
E continua assistindo.
Poucos produtos conseguem transformar audiência em uma ação comercial tão rapidamente.
A Copa também mostrou o poder da segunda tela
Esse comportamento é especialmente relevante no Brasil.
O torcedor não assiste mais futebol apenas pela televisão.
Ele assiste à partida enquanto:
- acompanha o X
- conversa no WhatsApp
- vê TikTok
- acompanha creators
- pesquisa estatísticas
- abre o aplicativo da bet
- comenta em comunidades
- compartilha memes
A Copa é um evento de múltiplas telas.
E as apostas se encaixam perfeitamente nesse comportamento.
O usuário pode estar assistindo ao jogo e, ao mesmo tempo, fazendo uma aposta ao vivo.
Isso cria uma conexão entre entretenimento e transação que é extremamente poderosa para as plataformas.
Por que as bets investem tanto em futebol?
A resposta é simples:
o futebol oferece frequência.
Um grande evento como a Copa aumenta essa frequência de forma extraordinária.
Mas, mesmo fora de uma Copa do Mundo, existem partidas todos os dias.
Brasileirão.
Premier League.
Champions League.
La Liga.
Serie A.
Libertadores.
Sul-Americana.
Futebol feminino.
Categorias de base.
E uma infinidade de outras competições.
Para as casas de apostas, isso significa que o produto não depende de uma única temporada.
Existe um calendário esportivo praticamente permanente.
A Copa apenas cria um pico extraordinário dentro desse calendário.
O efeito Copa pode continuar depois da final?
Essa é uma pergunta interessante.
O grande desafio para as casas agora é transformar o pico de aquisição em retenção.
Durante a Copa, pessoas que normalmente apostam pouco podem ter criado contas.
Usuários antigos podem ter aumentado a frequência.
Novos consumidores podem ter baixado aplicativos.
Creators podem ter conquistado novos seguidores.
Marcas podem ter aumentado sua exposição.
Mas o que acontece quando o último jogo termina?
É aí que começa a verdadeira disputa.
A Copa pode gerar aquisição.
Mas o negócio depende de retenção.
Uma plataforma que gasta centenas de reais para adquirir um usuário precisa conseguir recuperar esse investimento ao longo do tempo.
Por isso, depois de grandes eventos, a pergunta mais importante não é apenas:
“Quanto apostaram?”
É:
“Quantos desses usuários continuam ativos três, seis ou doze meses depois?”
O próximo desafio das bets é eficiência
Durante um evento como a Copa, é fácil justificar grandes investimentos.
A audiência está concentrada.
O futebol está em todos os lugares.
O consumidor está altamente engajado.
A concorrência também está disposta a gastar.
Mas, terminado o evento, a realidade muda.
O custo de aquisição pode continuar alto.
A concorrência permanece.
E o usuário passa a dividir sua atenção entre dezenas de campeonatos.
Isso aumenta a importância de CRM, dados, segmentação, personalização, mídia de performance e retenção.
O mercado de apostas está deixando de ser uma corrida apenas por cadastros.
Está se tornando uma corrida por usuários de alto valor e relacionamento de longo prazo.
O que a Copa ensina para o mercado de marketing?
Talvez essa seja uma das maiores conclusões.
A Copa mostrou que atenção concentrada gera dinheiro.
Mas também mostrou que não basta comprar atenção.
É necessário transformar atenção em relacionamento.
As marcas que conseguiram conectar:
evento + conteúdo + creator + comunidade + produto
tiveram uma vantagem importante.
Isso vale para bets.
Mas vale também para qualquer empresa que queira aproveitar grandes eventos esportivos.
O consumidor não quer apenas publicidade.
Ele quer participar da conversa.
E os creators são excelentes intermediários dessa conversa.
O futuro do mercado de apostas no Brasil
O mercado brasileiro de apostas ainda está em uma fase relativamente inicial.
A regulamentação nacional começou efetivamente em 2025.
Agora, em 2026, o setor está passando pelo primeiro grande teste de maturidade.
E a Copa do Mundo foi esse teste.
Os resultados mostram um mercado gigantesco.
Mas também mostram desafios enormes.
O governo precisa fiscalizar.
As empresas precisam ser sustentáveis.
Os operadores precisam combater fraude.
O mercado legal precisa competir com o ilegal.
Creators precisam cumprir regras.
Consumidores precisam ser protegidos.
E o setor precisa provar que consegue crescer sem transformar aquisição em dependência.
A Copa foi um acelerador, não uma explicação para tudo
É tentador olhar para os números do primeiro semestre e dizer:
“A Copa fez o mercado explodir.”
Existe verdade nisso.
Mas seria simplificar demais.
O mercado já vinha crescendo antes do Mundial.
Dados da Receita Federal mostraram forte expansão das receitas das empresas licenciadas nos primeiros meses de 2026, antes da Copa. A expectativa de crescimento já estava incorporada ao planejamento do setor.
O Mundial funcionou como um acelerador de uma tendência que já existia.
Essa distinção é importante.
A Copa não criou o mercado brasileiro de apostas.
Ela concentrou atenção, partidas, publicidade e oportunidades de apostas em um período extraordinariamente curto.
E o resultado foi um pico.
Afinal, qual foi o impacto real da Copa do Mundo nas apostas?
Se tivermos que resumir os principais números, podemos chegar a alguns indicadores importantes.
R$ 133 bilhões é a estimativa de volume apostado em plataformas legalizadas durante junho e julho.
R$ 8,08 bilhões é a estimativa de GGR das casas nos dois meses da Copa segundo o Aposta Legal.
R$ 4,43 bilhões foi o GGR estimado para junho, tornando o mês um recorde histórico no levantamento.
R$ 3,64 bilhões foi o GGR estimado para julho.
12,47 bilhões de visitas foram registradas nos sites monitorados pelo Aposta Legal no primeiro semestre.
E existe ainda uma segunda fotografia do mercado.
Dados obtidos pelo BNLData diretamente do Ministério da Fazenda apontam R$ 20,07 bilhões de GGR no primeiro semestre, com 30,9 milhões de CPFs únicos no mercado regulado.
Essa diferença entre levantamentos é importante e deve ser explicitada em qualquer análise séria.
Não existe apenas um número.
Existem metodologias diferentes.
E o mercado está crescendo rápido o suficiente para que pequenas diferenças de metodologia representem bilhões de reais.
O que vem depois da Copa?
Agora começa uma fase ainda mais interessante.
A Copa acabou.
As atenções voltaram para o calendário normal.
E o mercado precisa descobrir quanto do crescimento permanece.
Se as bets conseguirem manter uma parcela significativa dos novos usuários adquiridos durante o Mundial, o evento terá produzido um efeito estrutural.
Se o volume voltar rapidamente para os níveis anteriores, teremos observado principalmente um pico sazonal.
Essa diferença é fundamental.
Porque uma coisa é faturar mais durante a Copa.
Outra é aumentar permanentemente o tamanho do mercado.
É isso que investidores, operadores, reguladores e profissionais de marketing deveriam acompanhar nos próximos meses.
Copa do Mundo e apostas: a grande lição
A Copa de 2026 mostrou que o mercado brasileiro de apostas já alcançou uma escala que não pode mais ser ignorada.
O setor está integrado ao futebol, à mídia, aos creators, à tecnologia, aos pagamentos e à economia digital.
Mas o crescimento também trouxe responsabilidades proporcionais.
A regulamentação está ficando mais rigorosa.
A publicidade está sendo fiscalizada.
Os operadores ilegais continuam sendo combatidos.
E o governo está ampliando mecanismos de proteção ao consumidor.
Portanto, talvez a principal conclusão não seja simplesmente que “a Copa fez as bets faturarem bilhões”.
É mais interessante do que isso.
A Copa mostrou o tamanho que o mercado brasileiro de apostas pode alcançar quando atenção, esporte, tecnologia, mídia e dinheiro se encontram no mesmo lugar.
Agora começa a verdadeira prova.
Transformar esse pico em um mercado sustentável, regulado e economicamente relevante.
E, para quem trabalha com marketing, mídia e creator economy, existe uma conclusão impossível de ignorar:
quando 220 milhões de pessoas estão olhando para o mesmo evento, a disputa pela atenção se transforma em uma disputa por bilhões.
Perguntas frequentes sobre Copa do Mundo 2026 e apostas
Quanto os brasileiros apostaram durante a Copa do Mundo de 2026?
O Aposta Legal estimou que aproximadamente R$ 133 bilhões foram apostados em plataformas legalizadas durante junho e julho de 2026, período que compreendeu toda a Copa do Mundo.
Quanto as casas de apostas faturaram durante a Copa?
Segundo levantamento do Aposta Legal, o mercado regulado teria registrado aproximadamente R$ 8,08 bilhões de GGR em junho e julho, sendo R$ 4,43 bilhões em junho e R$ 3,64 bilhões em julho.
Qual foi o mês de maior receita das bets em 2026?
No levantamento do Aposta Legal, junho de 2026 foi o mês de maior receita estimada, com aproximadamente R$ 4,43 bilhões em GGR.
O que significa GGR nas apostas?
GGR significa Gross Gaming Revenue e corresponde, de forma simplificada, à receita obtida com as apostas depois da dedução dos prêmios pagos aos jogadores. O Ministério da Fazenda utiliza esse conceito na regulamentação e no cálculo das destinações do setor.
A Copa do Mundo aumentou o número de apostadores?
Sim. Dados e levantamentos divulgados durante o torneio apontaram crescimento expressivo da base e da atividade dos usuários. Dados obtidos pelo BNLData junto ao Ministério da Fazenda indicaram 30,9 milhões de CPFs únicos no mercado regulado no primeiro semestre de 2026.
As apostas esportivas são regulamentadas no Brasil?
Sim. Desde 1º de janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda podem operar nacionalmente. Os sites autorizados utilizam o domínio .bet.br.
O mercado ilegal de apostas acabou com a regulamentação?
Não. Estimativas divulgadas pelo Aposta Legal com base em dados do IBJR apontam que operadores ilegais ainda poderiam representar entre 38% e 44% das apostas online no primeiro semestre de 2026.
A publicidade de apostas ficou mais restrita em 2026?
Sim. Novas regras publicadas em julho de 2026 passaram a exigir advertências específicas nas propagandas de apostas e ampliaram a responsabilidade dos agentes envolvidos na divulgação.
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